Capítulo II Para
os equipamentos novos, eu projetei uma sala com divisórias de
vidro blindex, que separava a ilha de edição
eletrônica de dois novos
telecines; o corte de vídeo que dava para o estúdio B e
junto a mesa de
operação de áudio; e cabine de
locução. Jack gostou da idéia, obteve
autorização
do patrão e projetou o acabamento da área.
A mesa de corte de vídeo também era um novo projeto feito por mim.
Era uma mesa com transistor da Philco e
o corte ocorria no tempo de apagamento vertical. A teoria existia, mas era a
única fabricada no Brasil e talvez a primeira no mundo. Em 1966 houve uma reviravolta política na TV Rio e eu fui
transferido para a Toropovski Eletronica, uma subsidiária da emissora chefiada
por Jack. Era uma firma que fabricava equipamentos como
transmissores/receptores de microondas, transmissores de áudio e vídeo,
estabilizadores de vídeo entre outros. Em novembro de 1966 consegui um emprego na TV Continental através de
um amigo que trabalhou na Toropovsky, Lara Campos, e estava assessorando um
grupo que pretendia o assumir controle da emissora. Fui como assessor técnico
para chefiar a engenharia. Logo o grupo desistiu da Continental, mas eu
continuei como assessor, pois interessava meus serviços para manter
principalmente os VTs. As câmeras eram RCA TK30 e a Tv possuía, além de um VT
QUAD, um VT660 helicoidal de
O meu salário
na Continental chegou a atrasar mais de 6 meses. Eu havia vendido meu primeiro
apartamento e parte do dinheiro da venda foi que sustentou a família. Tive
sorte, pois parte do dinheiro da venda eu empreguei em ações e, com o lucro,
pude comprar o segundo apartamento em 1970.
As câmeras de estúdio eram as TK 60, com tubos orticons de
Instalados na Globo estavam dois telecines TK26 com projetores TP 66,
de qualidade muito superior aos telecines das outras emissoras. Os telecines na
época eram muito utilizados não só para passar filmes de série ou cinema, como também
para jornalismo, que usava filmes negativos para revelação rápida feita no
laboratório da TV. Não existiam câmeras e gravadores portáteis de vídeo. Os primeiros
surgiram em 1969 e custavam caro.
Ainda em 1968, quando foi criada a Fundação Centro Brasileiro de TV
Educativa, Lara Campos convenceu ao Dr. Gilson que eu era a solução para a
implantação da TVE. Fiquei então com três empregos: a TV Globo, o serviço
público e o estudo para a implantação de um centro de treinamento para a TVE.
Mas não foi só isso. Jorge Marciai Leal, diretor técnico da Embratel, também me
chamou para participar do projeto dos centros de TV locais. Seriam centros de
comutação de sinais para a distribuição de sinais de tv. Eu praticamente não
tinha hora para dormir.
Participei então com mais três engenheiros do julgamento das propostas
oferecidas para a implantação dos centros de comutação. Foram três firmas que
responderam à licitação: Marconi, RCA e NEC. Esta última foi a vencedora.
Com exceção das novelas, a programação da Globo era toda ao vivo. O
programa que dava mais trabalho era o do Chacrinha. A dificuldade era com o
áudio, pois ele queria se ouvir bem e tínhamos problemas com feedback: o famoso
apito no áudio. Em 1971, as emissoras brasileiras mandaram pessoal de várias áreas,
como cenografia, maquiagem, técnicos e operadores, para a Alemanha, para cursos
em tv colorida. Eu, então, fui participar desses cursos que foram realizados,
na maior parte do tempo, em Berlim, na emissora Sender Freies Berlim.
Estivemos também na fábrica de equipamentos de tv da Fernseh e no centro de treinamento de
Hanover da Telefunken, fabricante de
aparelhos de televisão. Foram cerca de 40 dias. Ficamos impressionados com as
instalações da Tv para uma produção de tão poucas horas mensais. Nós não
visitamos o principal centro de Tv da Alemanha, que ficava em Munique.
O edifício da Sender Freies foi
projetado pela BBC de Londres. Os estúdios foram montados em cima de
amortecedores, para evitar tremores produzidos pelo tráfego pesado que fluía
nas adjacências. Aqui abro parênteses para falar da TVE. No final de 1969, fiz um
projeto: a licitação e instalação de um Centro
de Tv para treinamento de pessoal no último andar de um edifício que ficava na
Av. N.S. de Copacabana, próximo ao cinema Roxi, e contei com a colaboração do
engenheiro Luiz Alfredo Salomão. A licitação foi ganha pela Philips e o equipamento consistia de
duas câmeras de estúdio com tubos plubicon de
A área de estúdio e operação era de aproximadamente Em
Veja:
Em 1969, eu estava na emissora quando foi transmitido o homem
pisando na lua, na estréia do Jornal Nacional.
Em 1970 e 1971, participei da instalação, montagem e operação de
dois Festivais da Canção. Eventos complexos, realizados no Maracanãzinho,
envolviam iluminação, captação de áudio com mais de 50 microfones, vários
consoles de áudio e amplificação para o público. Toda a montagem era feita
pelos técnicos e operadores da Tv. A iluminação usava duas casas de força. A
quantidade de cabos era infernal. Nos anos
O auditório que ficava no estúdio A pegou fogo, então a emissora
teve que alugar o Teatro Phoenix. Após montados os equipamentos de vídeo, áudio
e iluminação, a programação do auditório passou a ser feita de lá.
A essa altura, 1972, os equipamentos a cores chegaram e iniciou-se o
ciclo da programação colorida. O primeiro programa a ser transmitido com essa
nova tecnologia foi o do Chacrinha, ao vivo. Depois veio o primeiro programa
editado, A Primeira Valsa.
Na TVE, em fevereiro de 1972, os alemães já haviam terminado a
instalação dos equipamentos nesse novo centro de tv na Av. Gomes Freire. Por
causa da umidade relativa do ar, não conseguiram fazer com que os equipamentos
fossem utilizados.
A TV Globo determinou que eu pedisse demissão da TVE, o que fiz a
partir de março.
Em junho fui chamado pelo Dr. Gilson, pois não conseguiam usar os
equipamentos novos. Aceitei o desafio e pedi demissão da Globo. O problema era
a umidade e eu resolvi usar os equipamentos de iluminação para aquecer as áreas
técnicas, com os equipamentos e o ar condicionado desligados. Depois de alguns
dias liguei o ar condicionado com a iluminação ligada e deu certo – os equipamentos
passaram a funcionar. Foram construídos três estúdios, sendo o maior com
Logo transferi os equipamentos de Copacabana para o estúdio 1, cuja área
era de mais de
As mesas de edição de filmes reproduziam o filme e duas trilhas de
fita magnética perfurada. Uma para som direto e outra alternando entre efeitos
e sonorização. Na sala, tínhamos um reprodutor de fita magnética, de ¼ de
polegadas, que transmitia o piloton para sincronizar uma gravadora de fita magnética
perfurada. Também tínhamos no telecine dois projetores Bauer com reprodução de fita magnética perfurada, o que permitia a
finalização em vídeo.
A operação era bem complexa e exigia profissionais especializados. Antes de prosseguir, quero-lhes contar casos que considero
interessantes e que ocorreram nas duas primeiras décadas.
Quatro Décadas na TV
Por Trás das Câmeras
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ORESTES POLVERELLI
No final de 1962, programas gravados no VT QUAD – eram VTs com quatro
cabeças rotativas e por isso chamados de quadruplex – foram ficando
sofisticados. Um que ficou famoso foi o Chico
Anísio Show, dirigido por Carlos Manga, e que deu muito trabalho, pois se
fazia a edição cortando e emendando fita, como nas edições de áudio. Marcelo
Barbosa era o editor, mas sobrou um bom trabalho de pesquisa que eu tive que
fazer. Ajustes finos na máquina e orientação para o problema de pulos de
imagem, pois as edições tinham que ser feita por quadros e os pulsos que eram
revelados com um líquido contendo partículas de ferro em suspensão, mostrando
pulsos de campo de Tv. O macete era, se a imagem pulasse, desfazer a colagem e
fazer um novo corte e uma nova colagem no próximo pulso. A colagem era feita
com uma fita adesiva de alumínio.

Em



Na Continental conheci o Dr. Gilson Amado, quem mais tarde assessorei
para a implantação da TV Educativa.
Em abril de 1968 voltei para a TV Rio como diretor técnico. Eu
estava com uma ação na justiça e consegui que eles me pagassem o que deviam.
Fiquei nessa emissora e na Continental até outubro, quando fui para a TV Globo.
A maior parte dos equipamentos era de fabricação RCA. Havia quatro
estúdios, um auditório e três salas de corte e de áudio. Uma das salas de corte
atendia o auditório (estúdio A); outra o estúdio B e o de jornalismo; e outra
para os estúdios C e D (onde eram gravadas as novelas). A edição de VT era
equipada com dois QUADs iguais ao da TV Rio, que editavam e exibiam as novelas.
Quando apresentavam defeito, tinham que ser consertados o mais rápido possível,
pois sem eles, os programas não iam ao ar.

Veio a Copa do Mundo de futebol de 1970 e adaptamos um tv no sistema
de cores PAL-M, que estava sendo implantado no Brasil para passarmos a ter
imagens de tv coloridas. O Centro de tv da Embratel possuía um transcoder que convertia o sinal que
chegava do México em NTSC, o sistema de cores dos Estados Unidos.

Além do curso, eu e Adilson Pontes Malta estivemos na fábrica da Fernseh, verificando os equipamentos de
tv a cores que a Globo havia comprado. Aproveitei para ver os equipamentos
doados a TVE pela Fundação Komrad
Adenauer. Eram equipamentos de tv em preto e branco.

Voltando a TV Globo, em novembro de

Começou a ser feito o estudo para a
realização das gravações da
novela João da Silva e seria
realizada com os novos equipamentos. João
da Silva era uma idéia do Dr. Gilson para atrair aqueles que não haviam completado
as cinco primeiras séries. Além das matérias básicas, exibia aulas práticas
para, por exemplo, ensinar a tirar a carteira de trabalho.
Durante as pesquisas, verificamos a inconveniência de usar cinema
para as gravações externas. Não tínhamos unidade móvel nem equipamentos portáteis.
Poucos eram os profissionais de cinema disponíveis no Brasil naquela época. Os profissionais
de cinema que trabalhavam na Tv eram treinados apenas para jornalismo.
Selecionamos uma equipe de técnicos e operadores para realização da
novela. O diretor do programa foi Geraldo Casé, que acumulava o cargo de
Diretor de Produção.
O estúdio 1 continuava com
gravações das antigas e novas séries. Com
melhores recursos e instalações, as
gravações ficaram bem mais ágeis e de
melhor qualidade.
Abaixo: teto de iluminação do importado da
Alemanha, corte e efeitos de vídeo e operação de câmeras do estúdio 3





Os europeus produziam a maior parte dos programas externos

Acima, a mesa de edição de filmes.
No carnaval de
1960, na transmissão do Clube Monte Líbano, colocamos a câmera no chão, no meio
do salão, onde as pessoas dançavam. Mauricio Coelho, camera man, tinha pouco espaço para focalizar, e virava a torre de
lentes da lente de 35mm para a de 135mm em pleno ar (ao vivo!), pois a Wilis só tinha uma câmera. Mauricio
tinha que fazer rapidamente o foco durante a transição de uma lente para outra.
Eram big closes de pernas e outras
coisas. Nunca mais foi possível colocar uma câmera no meio da multidão num
baile de Carnaval. Nenhum clube permitiu depois da nossa transmissão.
Em uma
transmissão de um julgamento no fórum, estávamos concorrendo com a TV Tupi. Só
era permitida a transmissão nos intervalos, quando

Em 1962, quando da posse de Jânio Quadros, a TV Rio resolveu mandar
o carro de externa para Brasília. Era um Studbaker
usado, comprado nos EUA, que ainda teve que ir rebocando o gerador de externa.
Junto seguiam duas caminhonetes Wilis,
uma dirigida por mim e a outra por Antonio Castro. Por sorte, levávamos um bom
mecânico de automóveis. Saímos à tarde e seguimos para Belo Horizonte, mas só
chegamos já com o dia amanhecendo. A U.M. (Unidade Móvel) andava muito devagar
nas subidas. Tomamos um café da manhã e seguimos para Sete Lagoas. Mas antes de
chegarmos à cidade, tivemos que vadear um rio que havia transbordado. Com isso
o Studbaker perdeu o freio. Paramos
A Unidade Móvel perdeu o freio e só parava batendo nas caminhonetes (e
cadê pescoço?!). Chovia e estávamos bastante molhados. Ao anoitecer,
descobrimos uns indivíduos que estavam fazendo uma canja em uma bacia e
vendendo para os caminhoneiros, com um bom pedaço de bisnaga. A canja era muito
rala, parecia mais água salgada. Porém, com a fome que estávamos foi um manjar
dos céus. Pela manhã, uma Wilis foi a
Sete Lagoas comprar os reparos para o freio e voltou trazendo também sanduíche
de mortadela e garrafas térmicas de café com leite. Foram trocados os reparos
das rodas e, após várias tentativas de reparo do burrinho de freio sem sucesso,
perguntei ao Eider, chefe de externas, e ao mecânico como é que funcionava.
Enquanto me explicavam eu disse: “– Não entendi como o óleo sai do depósito de óleo
(da frente) para as rodas.” Aí eles perceberam que o reparo do burrinho que
havia sido substituído estava errado, pois não servia, então saímos catando o
reparo antigo. O freio voltou a funcionar após a reposição do velho reparo. Continuamos
a viagem e resolvemos empurrar o caminhão com as Wilis para aumentar a velocidade. Na subida, colávamos no pára-choque
do gerador e empurrávamos o ônibus, aumentando a velocidade. Próximo a Três
Marias, o ônibus começou a bater biela e paramos numa estância. Resolvemos
seguir viagem colocando parte dos equipamentos nas caminhonetes e deixando o mecânico
com o ônibus. Já era noite e, alguns quilômetros
mais, a transmissão traseira da caminhonete, dirigida por Antonio, desmontou.
Colocamos as peças dentro do carro e seguimos viagem somente com a transmissão
dianteira. Pouco depois, o dínamo do carro do Antonio deu problema e ele teve
que dirigir atrás do meu carro, pois não era possível ligar a luz. Continuava a
chover e tinha um pouco de nevoeiro. Eu estava com muito sono e tinha visão em túnel,
via as árvores da beira da estrada como se fossem montanhas. Eu dormia no
volante e saia com o carro para o acostamento. Artur Seixas ia do meu lado
dormindo. Quando amanheceu o dia, meu carro começou a perder a força. Antonio
seguiu em frente e sumiu. Já na entrada de Brasília, o carro parou. Abrimos o
capô e verificamos que o motor cuspia combustível pelo carburador. Artur pegou
um táxi e foi buscar Antonio que trouxe uma pequena corda com menos de um metro
para nos rebocar. As Wilis foram
batendo pára-choque até a emissora da TV Rio

A TV Rio possuía
duas câmeras de filme: uma Sarkes Tarzian
com tubo vidicon, parecida com a da
foto ao lado, com um único projetor de
Outro
acontecimento interessante. Lá pelas 11 horas da noite, quando os trabalhos diminuíam,
pois quase sempre era o horário dos filmes de série, saíamos um grupo para
comermos alguma coisa e tomar um cafezinho. No bate papo, eu contei que tinha
lido na revista Seleções um flagrante da vida real: um motorista em NY percebeu
um carro acompanhando-o, colado em sua traseira. Virou uma esquina, outra, e o
carro continuava colado. Ele parou e foi reclamar com o motorista. Mas cadê o
motorista? Todos começaram a fazer chacota. Essa não! Nós estávamos na Av.
N.S.de Copacabana, quase chegando na TV Rio, quando um carro entrou, cantando
pneus, de onde saltaram vários rapazes e...
havia um carro atrás enganchado no pára-choque. Eles desengataram o carro e o deixaram lá, no
meio da rua.
A TV Globo
contratou a Continental em 1967 para a transmissão de uma corrida no autódromo
do Rio. Para a transmissão era necessário fechar dois enlaces de microondas.
Não tinha visual do autódromo para a Globo, ou seja, havia obstáculos que
impediam a recepção do sinal de microondas. Como só possuíamos um gerador ele
seria usado para o enlace repetidor. Foi permitido o uso do gerador do
autódromo. Chamei o eletricista do autódromo,
pois verifiquei que a ligação do gerador estava errada e eles estavam ajustando
o gerador com o controle manual. A ligação para 120 volts estava entre fases
quando deveria estar entre fase e neutro.
A unidade móvel da Continental funcionava em 220 volts. Falei com eletricista se eu podia mudar as
ligações pois eu tinha que passar o gerador para automático e a tensão subiria
para 220v. Ele disse que eu não poderia mudar as ligações mas poderia passar o
ajuste para automático. O equipamento da TV funcionou mas as geladeiras do
autódromo queimaram.
Para um Festival
da Canção, a TV Globo contratou a J B
Lansing para a sonorização do ambiente, ponto crítico do Maracanãzinho. Os engenheiros
dessa firma projetaram um cluster que
pesava mais de duas toneladas. Ficou por conta da equipe técnica subir a
constelação, cheia de caixas acústicas e cornetas, usando para isso
equipamentos manuais de monta carga. Logo de início, o primeiro quebrou com o peso. Usamos, então, um outro
semelhante, com ajuda de mais quatro pequenos monta carga. Não sei como
conseguimos. Ainda tivemos que içar muitos quadros com com spots e panelões para iluminação de cenário e público. Além disso,
o evento usava mais de 48 canais de microfones que tiveram seus cabos montados
no local. Usávamos as duas casas de força do Maracanãzinho e muitos geradores.
A adaptação do VT
RCA para o sistema PAL-M foi feita por mim, por volta de 1972 na Globo. O VT
estava funcionando bem, quando chegou um engenheiro da RCA da Inglaterra e
disse que tinha que fazer algumas modificações, pois o manual estava com
informação errada. Voltou para a Inglaterra e deixou um problema no VT. Quando
tinha que ser usado para misturar imagens na mesa de corte, como por exemplo, o
Chroma Key, era cara ou coroa (havia
chances de sair certo ou errado!). Às vezes entrava em fase com a emissora
(reprodução correta), às vezes não. E quando isso acontecia, as imagens saíam
esverdeadas. Isso ocorria muito no Jornal Nacional. Adilson nos chamou na
manutenção e brigou com Paulinho, um rapaz que eu estava formando para ser técnico
de VT e já havia trabalhado na contabilidade da
TV Continental, e Adilson descascou o verbo. Eu
falei que eu era quem estava vendo o problema, pois era o único técnico que
estava a par das modificações. E enquanto eu
estava falando, de repente, eu tive um insight:
“– Acabei de matar o defeito!”. Todos riram e disseram: “– Essa não!”.
Caminhamos em direção à sala de VT e tivemos que esperar um pouco, pois estava
sendo realizada uma edição em P/B. Assim que parou a edição eu falei para o
Paulinho: “– Tira este módulo.”. Ao retirarem o módulo, “plim plim plim” – uma
porca caiu no chão. O engenheiro havia perdido a porca e ela queimou um
circuito. Os módulos eram circuitos transistorizados e o VT possuía muitos
módulos, por isso, não era fácil localizar os defeitos.
Outro caso de
defeito em equipamento foi o do telecine que variava cores. Outro engenheiro da
RCA, desta vez dos EUA, tentou resolver o problema e, após alguns dias, disse
que estava com saudades de casa, deixando tudo para trás. Perdi uma noite para
resolver. Quando ele voltou fez alguns retoques nos ajustes e tudo estava OK.
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